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    Economia

    Etaure e Mogai: primeira M&A entre indtechs capixabas cria nova referência nacional em tecnologia industrial

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    freepik

    No cenário brasileiro de tecnologia para a indústria, algo inédito acaba de ocorrer. As indtechs capixabas Etaure e Mogai consolidaram uma organização ainda mais capacitada para responder às demandas tecnológicas de siderurgia, mineração, portos e agronegócio em todo o Brasil.

    Em termos de mercado, uma operação de M&A significa a união de duas empresas com portfólios, talentos e capacidades complementares para criar um player mais competitivo, organizado e preparado para atender clientes maiores e com ciclos de inovação mais longos, especialmente em setores industriais estratégicos.

    Hoje, a nova companhia é a maior indtech do estado e atende clientes em quase todo o Brasil, faltando apenas o Acre. Já possui propostas em países da América do Sul e da África, além de iniciar movimentos para entrada no mercado norte-americano, especialmente em regiões de forte vocação agrícola.

    M&A- expectativas

    Com a fusão, a expectativa de crescimento da Nova Mogai está entre 30% e 40% em receita anual, com projeção de cerca de R$ 16 milhões por ano, um patamar significativo para empresas de tecnologia com foco industrial, em especial considerados os ciclos longos de adoção e integração de soluções.

    Essa projeção é sustentada pela estratégia de cruzar portfólios de produtos entre clientes existentes nos diferentes setores: por exemplo, uma siderúrgica que já utiliza um sistema de medição de pátio pode se interessar por uma solução de gestão integrada de estoque; um cliente de soluções logísticas portuárias pode encontrar sinergia com ferramentas de inventário e análise de dados.

    Saulo Bittencourt, CEO da Etaure, destaca a força das empresas de tecnologia capixabas. O executivo lembra que a posição geográfica do estado, somada aos grandes investimentos públicos e privados no setor de logística, proporciona oportunidades concretas para o ecossistema de tecnologia e inovação do estado.

    “O estado passa por investimentos robustos em portos, ferrovias e modernização logística, algo em torno de R$ 65,8 bilhões até 2027. Isso demonstra que o Espírito Santo está no caminho para se tornar um hub logístico. A união de nossas empresas tem o objetivo de entregar soluções completas para as grandes corporações industriais. A ideia é ampliar a capacidade tecnológica de armazenamento e movimentação de grãos, minérios, fertilizantes e produtos industriais em toda a cadeia produtiva: das fazendas, minas e indústrias até os portos, e vice-versa”, explica Saulo.

    Além disso, a Nova Mogai está posicionada para continuar explorando oportunidades de fusões e aquisições no futuro, com a liderança atenta a movimentos estratégicos que possam acelerar o crescimento ou ampliar ainda mais capacidades tecnológicas, mesmo que hoje não existam conversas formais nesse sentido.

    A fusão

    A motivação por trás da fusão vai além de sinergias de produtos: ela nasce da necessidade de consolidar expertise e acelerar crescimento orgânico e inorgânico em um mercado com altas barreiras tecnológicas e exigência de soluções completas.

    A Nova Mogai resulta em ganhos claros:

    • Estrutura de liderança ampliada, com divisão clara de funções e mais foco em áreas estratégicas;

    • Sinergia de equipes técnicas, pois ambas as empresas trabalham com tecnologias Microsoft, facilitando integração de soluções e mobilidade de talentos;

    • Capacidade comercial reforçada, com cruzamento de portfólios para oferecer mais valor agregado aos clientes e mais oportunidades de receita recorrente.

    Franco Machado, CEO da Mogai, ressalta que as duas empresas já atendem quase 80% do das corporações do setor siderúrgico, e que a união também aprimora a logística ao longo de todo ciclo produtivo:

    “A Mogai já atuava no ciclo produtivo de commodities agrícolas e minerais do campo à indústria, agora com a Etaure, vamos do campo ao porto, que é o destino de grande parte das commodities produzidas no Brasil. Com a fusão, fechamos esse ciclo”, destaca.

    A Nova Mogai atua em segmentos que representam grande peso na economia nacional brasileira, e que são altamente tecnológicos, demandando soluções como as oferecidas pelas duas empresas:

    Agronegócio

    O agronegócio brasileiro responde por cerca de 23% do PIB e é um dos pilares econômicos do país. O setor se distingue pela força competitiva de suas cooperativas, que rivalizam em escala e eficiência com grandes empresas agrícolas globais, especialmente em culturas como soja, milho e algodão. Essa estrutura cooperativista é um diferencial competitivo que impulsiona demanda por tecnologia em gestão de estoques, rastreabilidade e logística integrada.

    Siderurgia

    A indústria siderúrgica brasileira continuou sólida em 2024, com uma produção estimada em 33,7 milhões de toneladas de aço bruto, marcando crescimento frente aos anos anteriores e mantendo o Brasil como um dos principais produtores internacionais de aço. Entre as maiores siderúrgicas que movimentam o setor estão:

    ArcelorMittal Brasil: um dos principais produtores nacionais de aço, com produção de mais de 15 milhões de toneladas em 2024;

    Usiminas: destaque em aços longos e plano;

    CSN Siderúrgica — estrutura integrada de produção de aço e logística;

    Essas empresas demandam tecnologias robustas de integração, automação e gestão de ativos, justamente o foco das soluções desenvolvidas pela Nova Mogai.

    Mineração

    O setor mineral brasileiro segue sendo um dos maiores do mundo. Em 2024, o faturamento da mineração no Brasil foi de cerca de R$ 270,8 bilhões, com destaque absoluto para o minério de ferro, responsável por quase 60% do valor gerado, e principais operações concentradas em estados como Pará e Minas Gerais.

    A Vale, maior mineradora brasileira e um dos maiores produtores globais de minério de ferro, destacou-se em 2024 ao produzir quase 328 milhões de toneladas, seu maior volume desde 2018.

    Fertilizantes

    O mercado de fertilizantes no Brasil movimenta cifras bilionárias e é essencial para o agronegócio, especialmente em culturas como soja e milho, que exigem grande aporte tecnológico para garantir produtividade, logística e rastreabilidade ao longo da cadeia produtiva.

    Reconhecimento

    A história da Mogai, agora parte da Nova Mogai, inclui reconhecimentos internacionais e nacionais de peso, que se traduzem em vantagem competitiva:

    Gartner: destaque em relatórios de tendências tecnológicas: esse reconhecimento atua como um “cartão de visitas” para clientes de tecnologia industrial, oferecendo credibilidade global;

    Destaque na Entrepreneurship World Cup (EWC): competição global de inovação cujo acesso exige seleção rigorosa entre milhares de startups;

    Ranking 100 Open Startups: destaque consecutivo nos últimos anos como uma das indtechs mais promissoras no Brasil.

    Esses reconhecimentos, somados à carteira de clientes de grande porte em setores como mineração, siderurgia e agronegócio, reforçam a posição da nova empresa no mercado e sua capacidade de competir com empresas nacionais e internacionais.

    Fundo Primatec e trajetória de investimentos

    A Mogai recebeu investimento do fundo Primatec em 2018, marcando um ponto de inflexão em sua trajetória de crescimento. Esse aporte impulsionou a expansão de produtos, consolidação de equipes e a capacidade de atender grandes clientes industriais, culminando na atual fusão que forma a Nova Mogai. A organização agora trabalha em um novo desenho de capital para sustentar o próximo ciclo de crescimento, com foco em governança, inovação contínua e expansão de mercado.

    A fusão entre Etaure e Mogai cria um player tecnológico com capacidade robusta de atender demandas de um conjunto de setores que somam grande peso econômico para o Brasil: do agronegócio ao aço, da mineração à logística portuária.

    Com um portfólio combinado, reconhecimento de mercado e uma estratégia clara para crescimento e expansão internacional, incluindo atenção especial ao mercado agrícola dos Estados Unidos, como o estado de Iowa, que se destaca como centro de produção de milho e soja, a Nova Mogai representa um novo patamar de tecnologia industrial no Brasil.

    Sobre as empresas

    Mogai: indtech especializada em visão computacional, inteligência artificial, automação e soluções tecnológicas para ambientes industriais complexos. Atua em siderurgia, mineração e agronegócio, com produtos para medição de materiais, inventários e gestão de processos.

    Etaure: empresa de tecnologia focada em soluções de transformação digital industrial, com forte atuação em sistemas de gestão de pátios industriais, logística portuária e integração de dados. Seu portfólio atende grandes players siderúrgicos e logísticos.

    Fontes:

    Entrevista com Franco Machado – CEO da Mogai Tecnologia
    Entrevista com Saulo Bittencourti – CEO da Etaure Tecnologia
    Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN)
    Produção de aço no Brasil em 2024 e contexto da siderurgia brasileira (Instituto Aço Brasil)
    Produção de aço da ArcelorMittal Brasil em 2024
    Faturamento do setor mineral brasileiro em 2024 (Ibram)
    Produção de ferro da Vale em 2024 (Reuters)
    Departamento de agricultura do estado de Iowa

    Marketing de conteúdo, acadêmico de Direito e fundador do Portal de Notícias O Singular. Redator de notícias em Política, Fé e de utilidade pública.

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