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    Sete miligramas

    “O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão
    cheias de dúvidas, e as pessoas idiotas estão cheio de certezas…”

    Publicado

    em

    A obra de Michael J. Sandel “ Justiça – O que é fazer a coisa certa “ escrita
    para acompanhar o famoso curso “Justice” ministrado por seu autor por mais de
    trinta anos na Universidade de Harvard, nos faz repensar conceitos e remete a
    seguinte analogia: na estrada de nossas vidas, um caminho tortuoso, cheio de
    buracos, perigos, muito escuro e obscuro este livro é um canhão de luz que ilumina
    a via revelando suas consequências e se propõe a ampliar a visão, desnudar a
    escuridão, entorpecer o leitor em fluxos de pensamentos para um determinado fato,
    ele esgota as várias facetas de uma mesma versão.

    A estrutura literária e filosófica utilizada pelo autor é facilmente reconhecida,
    utiliza como pilar fundamental os quatro discursos aristotélicos fato que fica muito
    evidente já no primeiro capítulo. Sandel utiliza o discurso poético para aventar as
    possibilidades, distribuir várias óticas frente ao leitor e abrir oportunidades de um
    determinado fato, ele conta a anedota do trem que perde o freio, dos abusos de
    preços, do coração púrpura,o Bailout entre várias outras, demonstra várias opções
    para um mesmo fato, abrindo várias possibilidades e tornando os pensamentos
    possíveis na mente do leitor, a “poiesis” ou seja a ideia de criar uma ideia.

    Após o discurso da possibilidade, o chamado discurso poético, o autor inicia
    o discurso retórico utilizando como base a possibilidade do que contou
    anteriormente, e então, fundamenta pensamentos filosóficos complexos e diversos
    com intuito de persuadir o leitor a várias correntes de pensamentos diferentes,
    criando vários argumentos em cima de um fato préviamente simples, unilateral, que
    se torna complexo com o sem número de possibilidades.

    Adiante, após construir e descrever discursos retóricos, verossímil bem
    estruturados e que derruba o leitor ao chão, ele começa o processo do discurso
    dialético, conflitando tais linhas de raciocínio comparando uma a uma subindo ao
    degrau do provável, em direção a verdade, porém, o livro e seu autor não tem como
    objetivo criar um discurso lógico ou verdadeiro, uma verdade absoluta, ou
    demonstrar a verdade, o que ele propõe é raciocinar várias possibilidades e causar
    um choque de cosmovisões.

    O Autor é muito feliz em coletar fatos simples e complexos do cotidiano,
    ilustrando os pensamentos do mundo ocidental de maneira interessante, prática e
    simples. Sandel refuta o Utilitarismo, a ideologia libertária, do dever, da
    coordenação social (Equidade) e das virtudes.

    Seguindo sua estrutura literária ele aborda o utilitarismo que tem como
    principais autores o Jeremy Bentham e, em seguida, John Stuart Mill, ideia muito
    disseminada nos dias atuais no qual a felicidade está no aumento do prazer e na
    diminuição da dor. A coisa certa a fazer é aquela que maximizará a utilidade,
    qualquer coisa que produza prazer ou felicidade e que evite a dor ou o sofrimento.

    A ideologia libertária com um de seus defensores Robert Nozick, que
    defende a liberdade que cada um tem de utilizar o que é seu como bem entender.
    A ideologia do dever com seu principal expoente Immanuel Kant com a Lei
    Moral que existe dentro do ser humano, os indivíduos precisam cumprir determinado
    dever, estabelecido por eles próprios para si mesmos, que vai contra uma inclinação
    sua. A Lei moral emite deveres, os quais temos para conosco mesmos, devemos
    cumprir.


    Equidade com base em John Rawls que denota uma alternativa ao
    utilitarismo, pessoas colaborando com as outras pessoas para que haja vantagens
    recíprocas, construido com base nessa igualdade moral e nesse merecimento de
    igual respeito e consideração de todos os seres humanos. John Rawls utiliza a
    equidade como justiça. Em uma sociedade bem ordenada, aquilo que é justo, ou
    seja aquilo que é pactuado, a fonte de consenso, tem de se sobrepor àquilo que
    cada um possa considerar como bom.


    As virtudes , quem merece o quê? Que tem como base Aristóteles, aborda
    experiência moral diária, cotidiana dos indivíduos, a intenção com o qual fazemos
    algo, toda vez que agimos com liberdade, agimos sempre com uma finalidade.
    Em resumo utilitarismo foca naquilo que é útil, libertário no individualismo,
    Kant no dever, John Rawls na equidade nas relações humanas na sociedade e
    Aristóteles na intenção.


    Existem verdades absolutas?, a única forma de obter objetividade é através
    do dialogo, é através da troca de impressões, é através do embate de ideias, pois,
    uma ideia lapida a outra ideia, o embate dialético somente através dele, não há
    outro caminho. Este livro é uma obra primordial para a civilização e ao apreciar
    estes escritos o leitor terá mais dúvidas do que certezas, afinal como diria Bertrand
    Russell : “O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias
    de dúvidas, e as pessoas idiotas estão cheio de certezas…“ e uma provocação final
    : Aquilo que faço e penso, é certo e coerente?

    - Médico Cardiologista pelo HSJA e pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, Mestrando na SCBH, Diretor Sociedade Brasileira de Cardiologia do Espírito Santo 2020/21, é médico assistente da Unidade Coronariana Intensiva (UTI do Coração), da enfermaria cardiológica, da equipe de Cirurgia Cardíaca, Hemodinâmica e é também coordenador do programa de residência médica do Hospital Rio Doce, Linhares Medical Center e Hospital Unimed Norte Capixaba em Linhares-ES. Um dos apresentadores do programa bate papo das 6 na REDE SIM. Membro do Aliança Jovem. CRM/ES 11491 e RQE 10191.

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