POLICIAL
O que disse George em duas horas de depoimento?

O acusado de torturar, estuprar e matar o enteado Kauan, de 6 anos de idade, e o filho Joaquim, de 3 anos, Gergeval Alves, prestou seu depoimento por cerca de duas horas durante o primeiro dia do julgamento. Ele começou a falar perante o Júri por volta das 23h45min.
George iniciou falando sobre sua história de vida, quando ainda morava em São Paulo, e relatou que possui crise de asma desde criança. O réu disse ainda que possuía diabetes e que só se alimentou durante o depoimento na delegacia pois estava muito tempo sem comer. A fala se deu por conta dos apontamentos de frieza possivelmente demonstrados pelo ex-pastor dias após perder os filhos.
GEORGE MENTIU?
O acusado relatou que foi orientado a mentir por alguns amigos e explicou o motivo da mentira. Segundo George, um pastor amigo disse que ficaria feio ele passar a imagem de que não tentou salvar os filhos.
“O porquê de eu mentir? Essas pessoas [amigos pastores que estavam com ele] começaram a falar que eu deveria ter tentado, deveria ter feito alguma coisa [para salvar as crianças]. Que muitos fariam diferente do que eu fiz” disse George.
“Os pastores começaram a falar que ‘não é bom que você passe essa imagem de covarde’, e eu comecei a ficar com medo, das pessoas me julgarem de não ter tentado salvar os meus filhos”, completou o réu.
O acusado relatou ainda detalhes da noite do dia 21 de abril, data que ocorreu o fato. Ele disse que era uma noite normal, que após colocar as crianças para dormir entrou no quarto para dormir e já acordou com a casa cheia de fumaça. De acordo com George, ele saiu pelo corredor e não sabia se mais cômodos estavam pegando fogo. “Eu sai correndo desesperado de cueca gritando pelos meus filhos que estavam no quarto”, afirmou George.
Ainda durante seu depoimento, respondendo a indagação da defesa, George afirmou que não sabia como estava a fiação da casa e que por ser prestativo auxiliou um técnico a consertar o ar-condicionado da casa.
“Me envergonho de ter mentido, eu deveria ter dito a verdade desde o começo. Eu tenho a perspectiva de futuro que posso provar minha inocência e não deixar esse legado de que sou um monstro para os meus filhos. Não cometi esse crime. Eu não sou essa pessoa”, relatou o réu emocionado.
E completou: “ eu não sou abusador, nunca abusei de ninguém. É minha vida que está em jogo, minha vida acabou”.
O julgamento iniciou às 9h e terminou às 1h45 . Duas testemunhas de acusação e duas testemunhas de defesa foram ouvidas, além do depoimento do réu.
George foi levado para Viana e retorna nesta quarta-feira (19), para segunda etapa do julgamento.
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