POLICIAL
Justiça mantém cinco policiais presos no caso de adolescente morto em Pedro Canário

Cinco policiais estão presos preventivamente, após a justiça converter a prisão em flagrante dos agentes envolvidos no caso do adolescente que morreu na manhã desta quarta-feira (1), em Pedro Canário, Região Norte do Espírito Santo.
O adolescente de 17 anos, identificado pela polícia como Carlos Eduardo Rebouças Barros, estava algemado quando atingido por disparos de arma de fogo. O juiz que concedeu a prisão disse que é perceptível o crime militar e que as investigações devem seguir com muito rigor.
“Ademais, há pontos a serem esclarecidos por meio de investigação, como requereu o MPM (Ministério Público Militar), e esta deverá se desenrolar da maneira mais escorreita possível, sem qualquer entrave ou empecilho a ser criado por quem quer que seja. Ademais, a surpresa geral e também no seio do efetivo com o resultado dessa diligência contribui para se colocar em dúvida os preceitos de hierarquia e disciplina que devem nortear a ação policial militar, porque neste momento não se tem certeza, por exemplo, sobre quem efetuou os disparos, cabendo aos mais antigo da guarnição a obrigação legal de evitar o dano. Assim, considero que a segregação dos indiciados neste passo é necessária e favorecerá a elucidação dos fatos. Por este motivo, decreto a prisão preventiva”, disse o juiz Getúlio Marcos pereira Neves.
O Ministério Público Militar se manifestou pela conversão da prisão em flagrante para preventiva. E disse em nota:
“Nesse primeiro momento temos conhecimento apenas do APFD (auto de prisão em flagrante delito), os vídeos que tivemos conhecimento apenas é o que constou no WhatsApp, tem sido divulgado amplamente pela imprensa, trazendo grande repercussão. No primeiro momento, os acusados usaram o direito ao silêncio, o que não traz prejuízo a eles, porque os fatos serão todos investigados. Mas neste momento, para resguardar a investigação e inclusive a vida dos indiciados, em virtude da comoção que o caso gerou, o MP entende que há elementos para converter o flagrante em prisão preventiva. Requer, portanto, a conversão do flagrante em prisão preventiva e a instauração do inquérito policial militar”, informou.
Além disso, em nota, o MPES disse que está fiscalizando e acompanhando com rigor as apurações do caso.
Já a defesa disse que “Trata-se de cinco militares com diversos elogios nas fichas funcionais, como destaque operacional. Havendo inclusive, manifestações contrarias à prisão na localidade de sua atuação. Todos com anos de serviços prestados à sociedade capixaba, não respondem a qualquer processo criminal, tendo assim bons antecedentes e preenchendo os requisitos para responderem em liberdade. Não há qualquer prejuízo ao devido processo legal e eventuais testemunhas, uma vez que a conduta funcional dos acusados demonstra não serem pessoas perigosas”, pontuou a defesa.
O CASO:
O adolescente foi morto após ser alvejado por um policial militar, na manhã desta quarta-feira (01), no bairro São Geraldo, em Pedro Canário, região Norte do Espírito Santo. As imagens de uma câmera de segurança mostram o momento em que o homem, já algemado, é baleado.
Conforme as imagens mostram, o homem já estava rendido e mesmo assim é baleado à queima-roupa.
No vídeo, o homem aparece sentado, em seguida se levanta, conversa com o policial e depois é alvejado. O homem cai no chão após ser baleado e o PM se afasta.
Segundo a Polícia, o adolescente já possuía passagens pela polícia e estava com uma arma antes de ser imobilizado pelos PMs.
Ele chegou a ser levado ao Hospital Menino Jesus, mas não resistiu e chegou já sem vida.
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